Uma conhecida frase diz que o inferno é sempre o outro, será? Porque queremos sempre deixar as rédeas da nossa vida nas mãos de terceiros, amigos, parentes, amores e até mesmo desconhecidos.
Não podemos ter controle sobre o que os outros pensam, falam, sentem ou fazem, mas podemos ter controle sobre nós mesmos. Sempre parece difícil porque, via de regra, agimos impulsionados pelas emoções e para emoções não existem regras e racionalidade.
Emoções descontroladas são perigosas, este é o inferno que mora dentro de nós.
Pequenos fatos do dia a dia são exemplos de como perdemos o controle e a atenção, e ficamos descuidados em relação a nós mesmos.
Nestes tempos modernos as emoções correm soltas no meio virtual, um mundo tão infinito como o real. Neste mundo coabitam os "bons" e os "maus", com objetivos sinceros e escusos.
O virtual é um amplo e livre mercado, tem de tudo, uns procuram diversão, aventura, sacanagem, outros companhia, amizade sincera, um amor verdadeiro, tem os buscadores de sonhos, igualzinho como acontece no real.
O senhor X e a senhora Y vivem sempre em "estado de graça", um dia a dia cheio de emoções.
As caixas postais estão sempre recheadas de e-mails com convites, declarações, indicação de poesias e cartões, ofertas diversas e outros, no caso dos
enamorados como fica um coração quando recebe um e-mail assim:
"Oi meu amor, estava pensando em você" ou "veja a minha mais recente foto", ou "alguém que te acha muito especial está te dedicando uma musica", ou "alguém que te ama esta te enviando flores virtuais" e sempre ao final vem o tal "clica aqui".
O que ele/ela fazem? Lêem e racionalizam? Desconfiam do remetente? Lembram que já leram em algum lugar ou viram na TV que há de se tomar cuidado com o que se recebe na caixa postal, lembram que hackers através de programas espiões roubam senhas bancárias?
Na maioria das vezes não se lembra de nada, e aí se clica e não abre página e muito menos cartão, alguns clicam varias vezes, a curiosidade vai ficando cada vez mais aguçada, seguida da decepção de nada abrir ou aparecer.
Pergunta aqui e ali e ninguém lhe enviou cartões ou flores, o tempo passa e esquece-se do admirador(a) desconhecido(a). Enquanto isto o computador contaminado trabalha silenciosamente enviando informações para computadores de hackers e num péssimo dia considerado de inferno astral ao consultar o extrato bancário constata-se retiradas e contas zeradas. É ficção? Não, pura verdade, está sempre acontecendo e sendo noticiado na mídia.
Desde que o mundo é mundo existem a bondade e a maldade, as pessoas íntegras e a bandidagem e com relação aos "maus" o que muda com o passar do tempo é a tecnologia e o "modus operandis". Eles são inferno? Certamente, mas não o nosso. Não temos como controlá-los, mas podemos tomar algumas precauções de segurança.
Muitos outros exemplos de inferno existem na busca fácil de felicidade, de vantagens e até mesmo por desespero, na busca de curas milagrosas onde, neste caso, é muito difícil racionalizar e manter a cabeça fria.
Note-se que os "maus" exploram as emoções para aplicar seus golpes. Já das fatalidades do dia a dia, mesmo com as precauções, não temos como evitar acidentes de percurso.
Temos o que é nosso, o instinto natural de autodefesa e preservação, temos como controlar, um mínimo que seja, as nossas emoções, temos como aguçar o raciocínio, temos como nos mantermos atualizados do que está acontecendo no mundo e a nossa volta, e ainda assim não estamos imunes.
Quando transferimos as decisões de cada ato nosso para terceiros provavelmente o inferno será o outro, e enquanto isso os nossos diabinhos ocultos agem livre dentro de nós.
Não podemos ficar imunes a tudo, mas precaução e água benta não fazem mal.